Identificação de Pessoas

Identificação de Pessoas

Tecnologia digital para identificação de pessoas

A biometria é o ramo da ciência que estuda as medidas físicas dos seres vivos. A tecnologia biométrica é usada para a identificação de pessoas através das características únicas de cada indivíduo, como a face, a íris e a impressão digital, fixando sua identificação perto da margem zero de erro. Cada ser tem traços físicos únicos difíceis de serem reproduzidos. Esta é uma antiga ambição de cientistas e bastante explorada na ficção científica e no cinema. Nos filmes “Minority Report” e “Gattaca”, esse tema é bastante abordado e mostra como essa tecnologia pode se tornar parte do dia a dia das pessoas. Mas até que ponto isso pode se tornar realidade?
A tecnologia AFIS (Sistema Automatizado de Identificação de Impressões Digitais), é o método mais preciso e rápido para identificação de impressões digitais. O AFIS é utilizado pela polícia e por institutos de identificação civil em todo o mundo. Este método ajuda na identificação de fragmentos de impressões digitais encontrados em cenas de crimes, por exemplo.
A Scotland Yard foi a pioneira em adotar a impressão digital para identificação de criminosos e em pouco tempo, as polícias de quase todo o mundo aderiram a essa maneira de identificação. Já hoje em dia, a identificação pela íris é uma realidade na Holanda. A polícia de estrangeiros de Roterdã começou os testes para identificar imigrantes. O que facilitará é que eles não precisarão mostrar seus passaportes, tendo somente que escanear a íris. A polícia acha que esse sistema vai economizar tempo para a identificação e espera diminuir as chances de fraudes.
Estes métodos de identificação estão ficando cada vez mais comuns e acredita-se que a tecnologia digital estará sendo utilizada brevemente em vários lugares, tais como aeroportos e outros. A segurança das informações contidas nos documentos de identidade assegura a sua validade, eliminando as fraudes e falsificações. O exemplo mais recente de utilização do AFIS com esse objetivo foi a sua implantação no sistema de identificação civil da África do Sul em 2000.
Além da impressão digital, reconhecimento de íris e retina e facial, existem outros métodos como o reconhecimento pela voz, palma da mão, assinatura e digitação. Embora todas sejam ótimos métodos de identificação, a mais segura é a pela íris, com uma margem de erro de 0,05%, porém seu custo ainda é alto.
No Brasil, ainda é uma imagem muito futurista a utilização da impressão digital como senha para o acesso à realização de transações bancárias pela Rede? Nem tanto. O primeiro caso será instalado no Banco Santos a partir de agosto, quando eles prometem lançar esse sistema aos clientes corporativos. E ainda tem mais: o Bradesco testa, em seu call center, a solução de identificação da pessoa pelo reconhecimento da voz como mais uma medida de segurança.
As informações do governo também estão bem protegidas. Há um ano, no Supremo Tribunal Federal (STF), os ministros acessam seus computadores com a identificação das impressões digitais. “Lidamos com informações sensíveis que não podem ser divulgadas antes da hora”, argumenta Leonardo Alam da Costa, secretário de informática do STF. Hoje, nem todos os funcionários usam essa tecnologia. Mas, daqui a alguns meses, uma nova licitação implantará a identificação biométrica a todos os profissionais do órgão.
O profissional de segurança eletrônica e aluno de engenharia de telecomunicações Anderson Calleia, 30 anos, diz que, apesar da biometria ajudar na segurança de informações, “ela também pode ser usada por alguma organização criminosa que a utilize para esconder informações sigilosas, de forma que os policiais nunca saibam. E ainda, com ajuda de hackers, são capazes de burlar impressões digitais, o reconhecimento facial e até a de retina. Para invadir o banco de dados de uma agência bancária, por exemplo, basta o hacker cadastrar seus dados, colocando uma foto digitalmente. Depois, basta colocar seu rosto para ser escaneado e ele o reconhecerá. O software compara o rosto aos dados que tem no sistema. Sem contar que é posível fazer uma lente com as características do olho da pessoa. Embora esse caso seja bem mais difícil, não é impossível”.
Ele ainda lembra do reconhecimento mais fácil de ser fraudado, a assinatura: “Cada pessoa faz uma certa pressão no papel na hora de escrever e inclina o pulso de forma diferente. A partir daí, você sabe se a assinatura é falsa ou não. Mas, se você escanear uma assinatura e depois imprimir, não tem como comprovar que aquilo não é da pessoa, pois fica idêntico”.
Conhecida há mais de 20 anos, somente agora a tecnologia biométrica está se tornando economicamente viável. Nos próximos anos, deve se transformar em uma alternativa de segurança e de controle de pessoas para um grande contingente de empresas. De acordo com dados da International Biometric Group, o mercado de biometria deve crescer nos próximos quatro anos em 263%, passando de U$ 523 milhões em 2001 para U$ 1,9 bilhão em 2005. Eles irão obter a total segurança das informações. Por isso, o negócio vai ser ficar de olhos bem abertos para garantir uma coisa também única do ser humano, sua privacidade.

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